sábado, 12 de maio de 2012

Chifre de Marfim

Escuturas que contam a evolução da humanidade....

Peça presenta no Ilé Axé Omo Alade que tem como Sacertode (Babalorixá - Pai de Santo) Pai Jaques de Logun Edé.
Na peça está escupida a evolução da humanidade contada por etapas e cima para baixo.
Podemos visualizar desde o surgimento da humanidade, a escravidão, as ofertas realizadas, o sofrimento do negro e a catequização.
Localizada ao Centro de seu Terreiro (Barracão), é impossível não notar tamanha beleza, pois pode ser notada de qualquer parte de seu local de culto ao Orixá.




            

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ritmos e Toques dos Atabaques

ADABI – Bater para nascer é seu significado. Ritmo dedicado a Exú.

ADARRUM – Ritmo invocatório de todos os Orixás. Rápido, forte e contínuo marcado junto com o Agôgô. Pode ser acompanhado de canto especialmente para Ogum.

AGUERE – Em Yorubá significa “lentidão”. Ritmo cadenciado para Oxóssi com andamento mais rápido para Iansã. Quando executado para Iansã é chamado de “quebra-pratos”

ALUJÁ – Significa orifício ou perfuração. Toque rápido com características guerreiras. É dedicado a Xangô.

BRAVUM – Dedicado a Oxumaré .Ritmo marcado por golpes fortes do Run.

HUNTÓ ou RUNTÓ – Ritmo de origem Fon executado para Oxumaré. Pode ser executado com cânticos para Obaluaiê e Xangô

IGBIN – Significa Caracol. Execução lenta com batidas fortes. Descreve a viagem de um Ancião. É dedicada a Oxalufã.

IJESA – Ritmo cadenciado tocado só com as mãos. É dedicado a Oxum quando sua execução é só instrumental.

ILU – Termo da língua Yorubá que também significa atabaque ou tambor

BATA – Batá significa tambor para culto de Egun e Sangô . Ritmo cadenciado especialmente para Xangô. Pode ser tocado para outros Orixás. Tocado com as mãos.

KORIN- EWE – Originário de Irawo, cidade onde é cultuado Ossain na Nigéria. O seu significado é “Canção das Folhas”.

OGUELE – Ritmo atribuído a Obá. Executado com cânticos para Ewá.

OPANIJE – Dedicado a Obaluaiê, Onile e Xapanã. Andamento lento marcado por batidas fortes do Run. Significa “o que mata e come”

SATÓ – A sua execução lembra o ritmo Bata com um andamento mais rápido e marcado pelas batidas do Run. Dedicado a Oxumaré ou Nanã. Significa a manifestação de algo sagrado.

TONIBOBÉ – Pedir e adorar com justiça é o seu significado. Tocado para Xangô


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Instrumentos II

Atabaques

Os Atabaques são os principais instrumentos dos rituais no Candomblé.
Eles são de Origem africana e são utilizados para invocar a força dos Orixás e sua presença. São objetos sagrados e não saem de dentro dos terreiros como os que vemos nas ruas em atos festivos a exemplo nos Afoxés.



As membrnas dos atabaques são feitas com couros de animais ofertados à eles e independente dos meios aos que chegaram aos terreiros, os couros que neles chegam, são descartados e trocados por aqueles em que os animais já passaram por rituais e passam a ter uma energia diferente.


São três os que fazem parte do ritual: Rum, o maior que comanda os outros dois, o Rumpi o que fica ao meio e o menos que se chama Le. Estes são tocados por varinhas chamadas de Aguidavis.



Instrumentos

Adjá

Um instrumento sagrado e sem substituição nos rituais do Candomblé.
Na verdade, o adjá ou adjarin, é uma sineta de metal, feito em bronze ou metal dourado ou prateado. 
Serve para manter ou invocar a força do Orixá durante os rituais (festas, rezas e obrigações).

Quando um orixá chega e incorpora no corpo do filho, a Ekedji ou Sacerdote ,dentro do culto ao Orixá, vai guiando o Orixá ali presente utilizando o som do Adjá para que o mesmo a acompanhe.         
Também é utilizado para avisar sobre o começo de algum ritual, com o som emitido através do seu balançar, ele chama a atenção das pessoas presentes.

O instrumento é respeitado por todos os Orixás de Exú a Oxalá.
Usado em cerimonias festivas ou não, o Adjá é de suma importância no Candomblé, pois sem ele a presença do Orixá fica mais dificil de ser sentida.


Objetos

Pilão

Pertence à Oxoguiã.

Também considerado simbolo de Xangô, o Pilão foi criado principalmente para pilar, amassar o nhame, uma de suas comidas favoritas.

Com essa invenção, ficou mais fácil triturar seu alimento para comê-los.



Diz a lenda que após Xangô cometer um erro prendendo Oxolufã em seu reino por sete longos anos, ele foi condenado a acompanhar Oxolufã para onde quer que ele fosse, então passou a viver com ele em suas terras e passou a se vestir de branco.
Em uma de suas passagens, diz que ele carregava pilão para seu pai, fato que explica o Pilão ser considerado também, de Xango.

Além disso, também representa a força e em todas as casas de camdomblê o pilão se faz presente.



Erukerê

É feito com rabo de cavalo, usado pelos reis, representa realeza.
Especificamente usado por Odés (caçadores) ou Oxossi (Orixá da Caça) para trazer fartura, prosperidade e há quem diga que com ele Oxossi detém o poder e domínio sobre os espíritos das florestas.

Na África os Babalaôs usam como símbolo de status.




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Descrição do campo

O local onde ocorrem as cerimonias e cultos no candomblé chama-se Terreiro ou Barracão.
O Terreiro visitado foi o Ilé Axé Omo Alade, comandado pelo Babalorixá Pai Jaques de Logun Edé.
Diferentemente do que se espera por conta do imaginário que se criou em torno do candomblé, logo ao entrar no local é possível perceber a limpeza e organização do ambiente e também a simplicidade.
O ambiente principal é uma sala comum com um piso frio, em tom azulado e paredes brancas. Todas as paredes são muito bem ornadas com quadros e alto-relevos representando ora ritos de iniciação, ora orixás.

No centro da sala há um pilar de sustentação em torno do qual foram colocados diversos objetos formando uma composição bastante trabalhada. Esta composição é o que mais nos chama a atenção ao entrarmos no ambiente. Ela representa Logun Edé. Nesta casa este orixá recebe mais destaque que os demais,pois o pai de santo que comanda o terreiro é filho deste orixá.


Entre os objetos destacam-se duas presas de elefante entalhadas e com faixas em espiral pintadas em tinta dourada. Estas peças de marfim estão colocadas cuidadosamente sobre pequenos pilares com capitéis ao estilo coríntio e tem claramente uma posição de destaque na composição. Ao nos aproximarmos é possível ver com mais clareza os detalhes dos entalhes no marfim. Eles representam por meio de desenhos a evolução da humanidade contada por etapas iniciando-se no topo e estendendo se para baixo ao longo de toda a peça. Nela, podemos observar o surgimento da humanidade, a escravidão, as ofertas realizadas, o sofrimento do negro e a catequização.
É interessante observar que pelo fato de o candomblé ser uma religião africana, a história da humanidade é contada a partir do ponto de vista dos negros que foram capturados e trazidos para o Brasil.
Ao centro, exatamente na frente do pilar de sustentação há uma ânfora de água bastante grande. Ela é azul e adornada com um rosto em alto relevo, pequenos Búzios, dois Chifres, uma representação de Arco e Flecha e um instrumento feito com rabo de cavalo chamado Erukerê.
Nos foi explicado que o nome desta ânfora é Quartilhão, e que a ânfora pequena na frente desta chama-se quartinha. Ao lado do Quartilhão, no chão há dois peixes, que juntamente com a água no interior das ânforas e os dois grandes cavalos marinhos dourados no topo do Quartilhão, representam os rios e a pesca, ao passo que o Erukerê, os chifres e o Arco e Flecha representam a caça.
Todos estes objetos são referências diretas a Logun Edé. Este orixá é filho de Oxum e de Oxóssi, e passa seis meses do ano nas matas caçando com Oxóssi e seis meses nos rios pescando com Oxum, sendo desta forma também um representante da fartura.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Candomblé em São Paulo



A chegada do candomblé em São Paulo é recente, sendo que os primeiros registros de terreiros desta religião são da década de 80. O tipo de candomblé que se popularizou na cidade de São Paulo foi o Queto. Ele tem suas origens históricas e afetivas no antigo reino Iorubá da cidade de Queto, região onde hoje se localiza a republica de Benin, que faz fronteira com a Nigéria.  Quando surge em São Paulo, vindo principalmente da Bahia e do Rio de Janeiro, o Candomblé já chega como uma religião universal, e não mais como uma religião de preservação de patrimônio cultural do negro ou como uma religião étnica, como em outros estados.Desta forma, o candomblé acaba competindo por espaço com outras religiões universais importantes, como o catolicismo, as igrejas pentecostais, o espiritismo kardecista e a umbanda, além de seitas mais recentes de origem oriental.Em 1984 o Centro de Estudos da Religião "Duglas Teixeira Monteiro" realizou uma pesquisa com um extenso levantamento nos cartórios da capital. Esta pesquisa revelou os seguintes dados: Até o final da década de 1940 os registros acusavam a presença de 1097 centros kardecistas, 85 centros de umbanda e nenhum terreiro de candomblé. Nesta época a umbanda já começava, ainda que timidamente a ameaçar a presença do kardecismo. Ao final das década de 1980, os dados revelaram a presença de 17 mil terreiros de umbanda, 2500 centros kardecistas e 2500 terreiros de candomblé. Com a expansão da umbanda, o kardecismo, que representava 92% dos registros caiu para 3%, e o candomblé, que não tinha nenhum registro na década de 40 chegou a 14% dos registros. 



















Apesar de a umbanda ter se firmado como majoritária já na década de 50, o candomblé reduziu significativamente a velocidade de expansão da umbanda, pois segundo as primeiras investigações feitas junto aos candomblés de São Paulo, é da umbanda que saem, esmagadoramente os adeptos que passam a seguir o candomblé, ou seja, a expansão da umbanda tem muito a ver com a consequente expansão do candomblé.